Ronco na Gravidez: É Normal? Causas, Riscos e Como Aliviar

📅 Publicado em 30 de junho de 2026

Ronco na Gravidez: É Normal? Causas, Riscos e Como Aliviar

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✍️ Quem escreveu: Cintia Siqueira pesquisa e testa produtos e técnicas para ronco há mais de 2 anos, reunindo experiências reais para ajudar quem sofre com o problema. Leia mais sobre mim →

📋 Neste artigo:

Aviso importante: Este artigo tem caráter educativo. Em caso de dúvidas durante a gravidez, consulte sempre seu obstetra ou médico do sono. Não tome nenhuma medida baseada apenas neste texto sem orientação profissional.

Quando uma amiga minha ficou grávida do segundo filho, ela me ligou uma madrugada com uma pergunta que parecia envergonhada: “Cintia, meu marido disse que eu comecei a roncar. Isso é sério?” Fiz questão de pesquisar muito sobre o assunto antes de responder — e o que aprendi me surpreendeu bastante.

O ronco na gravidez é muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Estudos estimam que entre 14% e 45% das grávidas desenvolvem ou intensificam o ronco ao longo da gestação. Mas “comum” não significa que deva ser ignorado — especialmente porque, em alguns casos, o ronco durante a gravidez pode ser sinal de uma condição que precisa de atenção médica.

Neste artigo, vou explicar por que isso acontece, quando é motivo de preocupação, o que você pode fazer para aliviar — e o que é melhor evitar durante esse período tão especial.

Por Que o Ronco Aparece ou Piora na Gravidez?

A gravidez provoca uma série de mudanças fisiológicas no corpo que, juntas, criam condições favoráveis para o ronco. Não é descuido nem fraqueza — é o organismo se adaptando a uma transformação enorme. Entender as causas ajuda a lidar com o problema sem angústia desnecessária.

Congestão Nasal da Gravidez

Um dos sintomas menos comentados da gravidez é a chamada rinite gestacional — uma congestão nasal que aparece por conta do aumento dos níveis de estrogênio e progesterona. Esses hormônios aumentam o fluxo sanguíneo para as mucosas do nariz, provocando inchaço e maior produção de muco.

Resultado: o nariz fica parcialmente ou totalmente obstruído, e a gestante passa a respirar pela boca durante o sono. Respirar pela boca aumenta significativamente o risco de ronco, porque o fluxo de ar pela boca cria uma turbulência diferente, que vibra os tecidos da garganta com mais facilidade.

Ganho de Peso Fisiológico

O ganho de peso durante a gravidez é saudável e esperado — mas ele também contribui para o ronco. O acúmulo de tecido adiposo ao redor do pescoço e da faringe estreita as vias aéreas superiores. Além disso, o crescimento do útero exerce pressão sobre o diafragma, especialmente no terceiro trimestre, dificultando a respiração em posição deitada.

Mudanças Hormonais

A progesterona, que aumenta muito durante a gravidez, tem efeito relaxante sobre a musculatura. Isso é essencial para o útero — mas também afeta os músculos da garganta, tornando-os mais suscetíveis ao colapso durante o sono. A progesterona também pode intensificar o inchaço das mucosas nasais.

Aumento do Volume Sanguíneo

Durante a gravidez, o volume sanguíneo da mulher aumenta em até 50%. Esse aumento pode causar inchaço nas mucosas de todo o sistema respiratório superior, contribuindo para o estreitamento das vias aéreas e, consequentemente, para o ronco.

Posição para Dormir

À medida que a barriga cresce, dormir de lado se torna necessário — o que, curiosamente, é também a melhor posição para quem ronca. Porém, muitas grávidas, por desconforto, acabam mudando de posição durante a noite e passando um tempo dormindo de costas, o que piora o ronco.

Em Qual Trimestre o Ronco é Mais Comum?

gestante conversando com médico sobre ronco na gravidez

O ronco na gravidez tende a ser mais frequente e intenso no terceiro trimestre, quando todos os fatores acima estão no pico: o útero está maior, a pressão sobre o diafragma é maior, o ganho de peso é maior e o inchaço das mucosas costuma ser mais acentuado.

Porém, muitas mulheres já relatam início ou aumento do ronco no segundo trimestre. No primeiro trimestre, as mudanças hormonais começam a preparar o terreno, mas os efeitos sobre o sono ainda são menos pronunciados.

Uma pesquisa publicada no periódico Sleep Medicine mostrou que a prevalência de ronco habitual (definido como ronco em pelo menos três noites por semana) sobe de 7% no primeiro trimestre para 16% no segundo e chega a 25% no terceiro trimestre. São números que mostram claramente a progressão ao longo da gestação.

Quando o Ronco na Gravidez É Normal e Quando Preocupa

Aqui vem a parte mais importante deste artigo — e quero ser muito clara com você: nem todo ronco na gravidez é problema, mas alguns sinais merecem atenção imediata.

Situações que são mais comuns e geralmente benignas:

  • Ronco que começou ou piorou após o segundo trimestre
  • Ronco leve a moderado, sem interrupções na respiração
  • Ronco associado à congestão nasal sem outros sintomas
  • Melhora após mudar de posição (virar de lado)

Sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata:

  • Pausas na respiração observadas pelo parceiro: a respiração para por alguns segundos e depois retorna com um engasgue ou ronco mais alto — esse é o sinal clássico de apneia do sono
  • Sonolência excessiva durante o dia: acordar exausta mesmo após dormir 8 horas
  • Dores de cabeça matinais frequentes: podem indicar quedas de oxigenação durante a noite
  • Pressão arterial elevada: especialmente combinada com ronco intenso — pode estar relacionado à pré-eclâmpsia
  • Inchaço súbito e excessivo nas mãos, rosto e pernas
  • Ronco muito intenso que persiste mesmo sem congestão nasal

Se você apresentar qualquer um desses sinais, informe seu obstetra na próxima consulta — ou busque atendimento antes se os sintomas forem intensos. Não espere para ver.

Os Riscos da Apneia do Sono na Gravidez

grávida usando dilatador nasal para aliviar ronco

A apneia do sono gestacional não é apenas um incômodo — é uma condição com implicações reais para a saúde da mãe e do bebê. Vou apresentar o que a ciência sabe sobre isso, de forma honesta e sem alarmismo desnecessário.

De acordo com o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG), a apneia obstrutiva do sono não tratada na gravidez está associada a maiores riscos de:

Pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma condição grave caracterizada por pressão arterial elevada e danos a órgãos como os rins e o fígado. Estudos mostram que grávidas com apneia do sono têm risco significativamente maior de desenvolver pré-eclâmpsia — algumas pesquisas apontam para um risco duas a três vezes maior em comparação com grávidas sem apneia.

Diabetes Gestacional

A apneia do sono interfere no metabolismo da glicose. Grávidas com apneia não tratada têm maior risco de desenvolver diabetes gestacional, com potenciais complicações para o bebê como macrossomia (bebê muito grande) e hipoglicemia neonatal.

Parto Prematuro

Pesquisas publicadas no American Journal of Obstetrics and Gynecology associam a apneia do sono gestacional a maiores taxas de parto prematuro. A hipóxia intermitente (quedas de oxigênio) causada pela apneia pode desencadear mecanismos que levam ao parto antes do termo.

Efeitos sobre o Bebê

Quando a mãe tem episódios repetidos de queda de oxigenação durante a noite, o bebê também pode ser afetado. Estudos sugerem associação entre apneia gestacional não tratada e restrição de crescimento intrauterino.

Importante: esses riscos são associados à apneia do sono — uma condição específica com pausas respiratórias — não ao ronco simples sem pausas. Porém, o ronco pode ser o primeiro sinal de apneia, por isso o acompanhamento médico é tão importante. Para entender melhor a diferença, veja o artigo sobre os Sintomas da Apneia do Sono.

Na prática: Na minha segunda gravidez, o ronco apareceu do nada no terceiro trimestre — nunca tinha roncado antes. Levei um susto, mas o obstetra me tranquilizou na consulta seguinte: era inchaço nasal normal da gestação, sem relação com nada grave.

O Que Fazer Para Aliviar o Ronco na Gravidez

A boa notícia é que existem medidas seguras e eficazes para aliviar o ronco durante a gravidez. Veja o que é recomendado:

1. Durma de Lado — Especialmente do Lado Esquerdo

Dormir em decúbito lateral (de lado) é a recomendação padrão para grávidas, e tem dois benefícios combinados: melhora a circulação para o bebê e reduz consideravelmente o ronco. O lado esquerdo é preferível porque melhora o fluxo sanguíneo para a placenta e reduz a pressão sobre o fígado.

Para manter a posição ao longo da noite, use travesseiros de suporte entre os joelhos e atrás das costas. Saiba mais sobre posições para dormir e ronco no artigo Melhor Posição para Dormir Quem Ronca.

2. Dilatador Nasal (com aprovação do obstetra)

Os dilatadores nasais externos — aquelas tirinhas que ficam sobre o nariz e abrem as narinas mecanicamente — são geralmente considerados seguros durante a gravidez por não envolverem medicamentos. Eles ajudam a manter as passagens nasais abertas, facilitando a respiração nasal e reduzindo o ronco.

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Antes de usar, informe seu obstetra — especialmente se você estiver usando qualquer outro produto ou medicamento. Leia mais sobre como usá-los corretamente no artigo sobre Dilatador Nasal para Ronco.

3. Travesseiro de Gestante

Um travesseiro em forma de U ou C, específico para grávidas, ajuda a manter a posição lateral durante toda a noite, sustentando a barriga e os joelhos. Esse tipo de travesseiro é uma das recomendações mais práticas tanto para o conforto geral da grávida quanto para reduzir o ronco.

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4. Umidificador de Ar

O ar seco agrava a congestão nasal e resseca as mucosas, piorando o ronco. Um umidificador de ar no quarto ajuda a manter a umidade adequada (entre 40% e 60%), tornando a respiração mais confortável durante a noite.

5. Lavagem Nasal com Soro Fisiológico

Lavar o nariz com soro fisiológico antes de dormir ajuda a desobstruir as passagens nasais e reduzir a congestão. O soro fisiológico (solução salina isotônica) é completamente seguro durante a gravidez.

6. Elevar Levemente a Cabeceira

Elevar a cabeça e o tronco em cerca de 15 a 30 graus pode ajudar. Você pode conseguir isso com um travesseiro extra ou elevando as pernas da cama na cabeceira. Essa posição reduz o refluxo e facilita a respiração.

7. Mantenha o Quarto Livre de Alérgenos

Grávidas costumam ser mais sensíveis a alérgenos ambientais. Trocar a roupa de cama com frequência, usar capas antiácaros e manter o quarto bem ventilado reduz a exposição a gatilhos de congestão nasal.

O Que NÃO Fazer Para o Ronco Durante a Gravidez

Aqui preciso ser bem direta, porque a internet está cheia de “soluções” para o ronco que são totalmente contraindicadas durante a gestação:

  • Não use sprays nasais com vasoconstritores (oximetazolina, nafazolina, xilometazolina) sem prescrição médica — esses medicamentos têm restrições claras na gravidez
  • Não use sprays de garganta para ronco de venda livre sem consultar seu obstetra antes — a composição varia muito e alguns contêm substâncias não avaliadas para uso gestacional
  • Não use aparelhos intraorais anti-ronco sem orientação de um dentista ou médico do sono — alterações na boca durante a gravidez podem ser intensas
  • Não tome nenhum suplemento ou chá para melhorar o sono sem consulta médica — muitos têm efeitos não estudados na gravidez
  • Não ignore o ronco por considerá-lo “apenas um incômodo” — especialmente se vier acompanhado dos sinais de alerta mencionados acima

Aviso médico: Ronco intenso na gravidez pode indicar apneia do sono gestacional, uma condição que exige avaliação médica. Não se automedique e informe seu obstetra sobre o ronco — especialmente se houver pausas na respiração, sonolência excessiva durante o dia ou pressão arterial elevada.

Como Falar Sobre o Ronco com Seu Obstetra

Muitas mulheres sentem vergonha de mencionar o ronco nas consultas pré-natais. Mas é importante tratar isso com normalidade — o ronco é um sintoma como qualquer outro e seu obstetra precisa saber.

Na próxima consulta, mencione:

  • Quando o ronco começou ou intensificou
  • Com que frequência acontece (toda noite, algumas vezes por semana)
  • Se o(a) parceiro(a) observou alguma pausa na respiração
  • Se você acorda cansada mesmo após dormir o tempo necessário
  • Se tem dores de cabeça pela manhã
  • Se tem sentido pressão arterial diferente do habitual

Com essas informações, o obstetra poderá avaliar se é necessário encaminhar para um especialista em sono para realização de polissonografia — um exame que monitora o sono e identifica apneia.

O Que Acontece com o Ronco Após o Parto?

Para a maioria das mulheres que desenvolveram ronco durante a gravidez, o problema diminui ou desaparece após o parto, à medida que os hormônios voltam ao normal, o peso se reduz e a congestão nasal gestacional regride.

Porém, algumas mulheres continuam roncando após o parto — especialmente se tiverem permanecido com sobrepeso significativo, se tiverem fatores anatômicos envolvidos ou se a apneia do sono estiver presente. Nesses casos, a avaliação com especialista em sono continua sendo recomendada.

FAQ — Perguntas Frequentes Sobre Ronco na Gravidez

Roncar na gravidez é perigoso para o bebê?

O ronco simples, sem episódios de apneia (pausas na respiração), geralmente não representa risco direto para o bebê. Porém, a apneia do sono gestacional — uma condição mais grave que pode começar com ronco — está associada a riscos como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. Por isso, qualquer ronco durante a gravidez merece ser comunicado ao obstetra.

Em qual mês da gravidez o ronco é mais comum?

O ronco tende a ser mais frequente e intenso no terceiro trimestre (a partir do 7º mês), quando o ganho de peso, a congestão nasal e a pressão sobre o diafragma são maiores. Porém, pode começar no segundo trimestre em muitas mulheres.

O dilatador nasal é seguro para usar durante a gravidez?

Os dilatadores nasais externos (tirinhas adesivas) são geralmente considerados seguros por não envolverem medicamentos. Porém, sempre informe seu obstetra antes de usar qualquer produto, mesmo os aparentemente inofensivos.

Posso usar spray para ronco durante a gravidez?

Não use nenhum spray para ronco durante a gravidez sem aprovação explícita do seu obstetra. Muitos contêm ingredientes não avaliados para uso gestacional. A automedicação durante a gravidez é sempre arriscada.

O ronco na gravidez some depois que o bebê nasce?

Para a maioria das mulheres, o ronco gestacional melhora ou desaparece após o parto, quando os hormônios se normalizam e o peso reduz. Porém, se o ronco persistir por mais de 2 a 3 meses após o parto, vale buscar avaliação médica.

É normal meu parceiro me gravar roncando? O que devo fazer com essa gravação?

Sim, gravar o ronco pode ser muito útil para mostrar ao médico — especialmente se a gravação capturar pausas na respiração. Leve o áudio para a consulta e descreva o que foi observado: a frequência, a intensidade e principalmente se houve engasgos ou pausas.

Conclusão

O ronco na gravidez é comum, compreensível e na maioria dos casos não representa perigo — mas também não deve ser completamente ignorado. Compreender as causas, saber distinguir quando é normal de quando preocupa, e adotar medidas seguras de alívio fazem toda a diferença.

O mais importante é manter o obstetra informado. A gravidez já envolve tantas preocupações que é tentador minimizar “mais um sintoma”. Mas o ronco, especialmente quando intenso ou acompanhado de pausas na respiração, merece atenção — porque tratar a apneia do sono gestacional quando identificada precocemente reduz significativamente os riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.

Se você está passando por isso agora, respira fundo. Você não está sozinha, e há muito que pode ser feito com segurança e com acompanhamento médico adequado.

Com carinho,
Cintia

📚 Fonte e referência:

Saúde da gestante: orientações do Ministério da Saúde

Sobre a autora:

Cintia Siqueira é mãe, escritora e pesquisadora de saúde do sono. Após anos lidando com o ronco em casa, criou o pararderoncar.com.br para ajudar famílias a dormirem melhor.

Cintia Siqueira — autora do Parar de Roncar

Sobre a autora: Cintia Siqueira

Convivi com o ronco do meu marido por anos — testei tiras nasais, dilatadores, travesseiros especiais e aparelhos intraorais — antes de encontrar o que realmente fazia diferença. Criei o Parar de Roncar para reunir informação honesta e baseada em experiência real, sem exageros e sem enrolação. Saiba mais sobre mim →

Referências
1 Sleep Foundation — Pregnancy and sleep  |  2 AASM — Sleep apnea in women  |  3 Associação Brasileira do Sono
Última revisão editorial: junho de 2026. Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica especializada.
Foto da autora do blog Parar de Roncar

Pesquisadora de saúde do sono e bem-estar. Criadora do pararderoncar.com.br, dedicada a ajudar pessoas que sofrem com ronco e apneia do sono a encontrar soluções práticas e acessíveis.