Ronco na Menopausa: Por Que Aumenta Nessa Fase
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Escrito por Cintia Siqueira, criadora do Parar de Roncar. Em casa, quem ronca é meu marido — ele tem apneia moderada, diagnosticada e tratada com CPAP. Esse assunto aqui é diferente: pesquisei a fundo por que o ronco aumenta em mulheres na menopausa, uma fase que eu ainda não vivi, mas que vejo de perto em amigas e parentes. Conheça minha história.

Duas amigas minhas chegaram aos 50 anos quase juntas — e, meses depois de os ciclos menstruais começarem a falhar, os maridos delas relataram a mesma coisa: um ronco que nunca tinha existido antes. O ronco na menopausa pega muita mulher de surpresa justamente porque parece não ter explicação: nada mudou no peso, na rotina ou no jeito de dormir. Mudou o hormônio.

Essa não é coincidência nem exagero de quem está incomodado do outro lado da cama. Existe um mecanismo hormonal bem documentado por trás disso, e entender esse mecanismo é o primeiro passo para saber quando é só um ronco novo e quando é hora de investigar apneia do sono.

“Eu já sei reconhecer os sinais de apneia de tanto conviver com o ronco do meu marido em casa — foi assim que aprendemos a levar a sério até o CPAP virar rotina. Quando comecei a pesquisar por que tantas amigas relatavam o mesmo ronco novo depois dos 45, 50 anos, percebi que o motivo não tinha nada a ver com o que eu já conhecia: era hormônio, não peso nem idade sozinha.”

Aviso de saúde: este conteúdo é informativo, baseado em pesquisa e fontes médicas — não é experiência pessoal de quem escreve, já que a autora ainda não está na menopausa. Ele não substitui a avaliação de um médico nem diagnostica apneia do sono. Sintomas de menopausa e suspeita de apneia devem ser avaliados por um ginecologista e, se necessário, um médico do sono.

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O que muda no corpo na menopausa

A menopausa é marcada pela queda progressiva na produção de estrogênio e progesterona pelos ovários. Segundo a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), essa queda hormonal afeta muito mais do que o ciclo menstrual: ela está ligada a mudanças no peso corporal, na saúde cardiovascular, na densidade óssea e na qualidade do sono — inclusive com aumento de substâncias inflamatórias no organismo.

O sono, aliás, é um dos primeiros afetados. A própria FEBRASGO destaca que dormir mal nessa fase está associado a piora cognitiva e que problemas de sono persistentes na meia-idade aumentam o risco de declínio cognitivo mais adiante. Mas existe uma peça específica desse quebra-cabeça que pouca mulher conhece: o efeito direto da queda hormonal sobre as vias respiratórias durante o sono.

mulher segurando xícara de chá perto da janela ao entardecer

Por que o ronco aumenta: o papel do estrogênio e da progesterona

O estrogênio e a progesterona não cuidam só do ciclo reprodutivo — eles também ajudam a manter o tônus muscular da garganta e das vias aéreas superiores durante o sono. É esse tônus que mantém a passagem de ar aberta e evita que os tecidos moles vibrem ou colapsem parcialmente, o que é justamente o que causa o ronco.

De acordo com a Sleep Foundation, à medida que os níveis de estrogênio e progesterona caem na menopausa, o tônus muscular das vias aéreas pode enfraquecer, tornando os tecidos mais propensos a um colapso parcial durante o sono — o que aumenta a chance de ronco e também de apneia obstrutiva do sono. A mesma fonte descreve estrogênio e progesterona como hormônios protetores contra a apneia: por isso os sintomas tendem a aparecer ou piorar em fases de queda hormonal, como a gravidez, certos momentos do ciclo menstrual e, de forma mais definitiva, a menopausa.

Uma revisão publicada no National Center for Biotechnology Information (NCBI/PMC) detalha o mecanismo em nível muscular: o estrogênio favorece a atividade do genioglosso — o principal músculo que projeta a língua para a frente e mantém a via aérea desobstruída — atuando via receptores de estrogênio (ERα) e preservando a composição das fibras musculares responsáveis pela resistência desse músculo. Quando o estrogênio cai, essa proteção também cai.

A progesterona soma um segundo efeito: ela funciona como estimulante respiratório natural, aumentando o impulso para respirar e reforçando o tônus dos músculos dilatadores da faringe. Some isso à queda de estrogênio e ao ganho de peso que costuma acompanhar a menopausa — outro fator que, segundo a Sleep Foundation, contribui para obstruir ainda mais a via aérea — e fica claro por que o ronco surge ou piora justamente nessa janela da vida.

Os números: o que as pesquisas mostram

Os dados confirmam o que a experiência de quem passa por isso já sugeria. A Sleep Foundation aponta que a apneia do sono afeta cerca de um quarto das mulheres nos anos que antecedem a menopausa — e mais de um terço nos anos seguintes a ela, quase dobrando o risco só pela queda de estrogênio.

Um estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO/SciELO), que avaliou 34 mulheres na pós-menopausa com sobrepeso ou obesidade e queixas de sono, encontrou que 68% delas tinham alto risco de apneia pelo Questionário de Berlim — e 44,1% já apresentavam apneia do sono confirmada por polissonografia, a maioria em grau leve. O estudo aponta ainda alta prevalência de sono fragmentado e insônia inicial nesse grupo.

Outro dado chama atenção: uma revisão do NCBI/PMC sobre o papel do estrogênio na apneia obstrutiva estima que mais de 90% das mulheres na perimenopausa e pós-menopausa com essa condição permanecem sem diagnóstico. O ronco costuma ser o primeiro sinal visível — e o mais fácil de ignorar.

Sinais de que não é só um ronco novo

Nem todo ronco na menopausa é apneia, mas alguns sinais merecem atenção redobrada quando aparecem junto com o ronco:

  • Pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado.
  • Engasgos ou sensação de sufoco ao despertar de madrugada.
  • Cansaço intenso durante o dia, mesmo dormindo o número de horas de sempre.
  • Dor de cabeça matinal ou boca seca ao acordar.
  • Despertares frequentes para urinar, somados a dificuldade de voltar a dormir.
  • Aumento da circunferência do pescoço ou da gordura abdominal na mesma época em que o ronco começou.

🏠 Na prática

Em casa, o meu contato com apneia veio pelo meu marido, não pela menopausa — a gravidade era moderada e o CPAP resolveu o ronco quase da noite para o dia. Foi só quando comecei a pesquisar esse tema que percebi como o padrão relatado por amigas na faixa dos 45 aos 55 anos era diferente: ronco que surgiu do nada, sem ganho de peso relevante, exatamente na época em que os ciclos menstruais começaram a ficar irregulares. Reconhecer essa coincidência de datas é, muitas vezes, o primeiro sinal de que vale a pena investigar.

Fatores que pioram o quadro nessa fase

A queda hormonal é o gatilho principal, mas ela não age sozinha. Alguns fatores se somam a ela e aumentam ainda mais o risco de ronco e apneia na menopausa:

duas mulheres conversando sobre ronco na menopausa durante um café
  • Ganho de peso — comum nessa fase por causa da desaceleração metabólica e da redistribuição de gordura para a região do abdômen e do pescoço.
  • Idade — o tônus muscular da via aérea tende a diminuir naturalmente com o avanço da idade, independente da menopausa.
  • Álcool antes de dormir — relaxa ainda mais a musculatura da garganta.
  • Tabagismo — aumenta a inflamação e o inchaço das vias aéreas.
  • Dormir de barriga para cima — facilita o colapso da língua e do palato mole contra a garganta.

Sobre a terapia hormonal, a Sleep Foundation é clara ao afirmar que ela pode reduzir os sintomas de apneia em algumas mulheres, mas os estudos ainda têm resultados conflitantes — por isso essa decisão deve ser sempre conversada com um ginecologista, avaliando o quadro hormonal completo, e não só o ronco.

🏠 Na prática

Uma prima me contou que só descobriu que estava roncando porque o marido gravou uma noite de sono no celular e mostrou o áudio para ela — a princípio, ela nem acreditou que aquele som era dela. Foi esse episódio que a levou ao médico. O ginecologista pediu avaliação com um especialista em sono, a polissonografia confirmou apneia leve, e o tratamento começou junto com o acompanhamento dos primeiros sintomas da perimenopausa. Relatos assim se repetem: o parceiro costuma perceber antes da própria mulher.

O que ajuda a reduzir o ronco na menopausa

Nenhuma dessas medidas substitui avaliação médica, mas costumam reduzir o ronco causado por obstrução parcial das vias aéreas, especialmente quando ele ainda não é apneia:

  • Dormir de lado em vez de de costas, para reduzir o colapso da língua e do palato mole.
  • Manter o peso dentro de uma faixa saudável, com orientação nutricional se necessário.
  • Evitar álcool nas horas que antecedem o sono.
  • Cuidar da respiração nasal — congestão e desvios leves de septo pioram o ronco, e um dilatador nasal pode ajudar a manter a passagem de ar mais livre durante a noite.
  • Conversar com o ginecologista sobre reposição hormonal, se fizer sentido para o seu quadro geral de sintomas.
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Um dilatador nasal como esse não trata apneia nem substitui diagnóstico médico — ele ajuda a desobstruir a respiração pelo nariz, o que é útil justamente quando o ronco vem de uma via aérea mais estreita, um cenário comum na menopausa por causa das mudanças hormonais e do inchaço de mucosas que costuma acompanhar essa fase.

Quando procurar um médico

Não espere o ronco “passar sozinho” se ele vier acompanhado de outros sinais. Procure um ginecologista e, se necessário, um médico do sono se você (ou quem dorme ao seu lado) notar pausas na respiração, engasgos noturnos, cansaço diurno fora do comum ou sonolência ao volante.

O diagnóstico de apneia é feito por polissonografia, exame que mede a respiração, os batimentos e a saturação de oxigênio durante a noite — hoje disponível também em versão domiciliar, por indicação médica. É esse exame que vai dizer se o ronco na menopausa é só ronco ou já é apneia, e qual o grau do problema.

Aviso de saúde: este conteúdo é informativo e baseado em pesquisa e fontes médicas — não substitui a avaliação de um médico nem diagnostica apneia do sono ou sintomas de menopausa. Procure um ginecologista e, se houver sinais de apneia, um médico do sono para investigação com polissonografia e tratamento adequado.

Perguntas frequentes sobre ronco na menopausa

Ronco na menopausa é normal?

É comum, mas não deve ser ignorado. A queda de estrogênio e progesterona reduz o tônus muscular das vias aéreas, o que aumenta a frequência de ronco em mulheres nessa fase. Comum não significa inofensivo — vale observar se vêm sinais de apneia junto.

Por que o ronco aumenta na menopausa?

Porque o estrogênio e a progesterona ajudam a manter o tônus muscular da garganta e das vias aéreas superiores. Quando esses hormônios caem, os tecidos ficam mais propensos a colapsar parcialmente durante o sono, o que gera o ronco e pode evoluir para apneia.

Toda mulher que ronca na menopausa tem apneia?

Não. Muitas mulheres passam a roncar sem ter apneia. Mas estudos mostram que uma parte relevante das mulheres na pós-menopausa com queixas de sono tem apneia confirmada por exame, muitas vezes em grau leve e sem diagnóstico. Por isso o ronco novo merece avaliação, não só incômodo.

Terapia hormonal ajuda a reduzir o ronco?

Pode ajudar em algumas mulheres, já que repõe parte da proteção hormonal sobre as vias aéreas, mas os estudos ainda têm resultados conflitantes. Essa decisão deve ser tomada em conjunto com um ginecologista, considerando o quadro completo de sintomas da menopausa.

Ronco na menopausa tem tratamento?

Sim. Desde medidas simples, como dormir de lado, cuidar do peso e da respiração nasal, até tratamentos médicos como CPAP nos casos de apneia confirmada. O primeiro passo é a avaliação médica para saber se é só ronco ou se já é apneia — a partir daí existe tratamento eficaz para os dois cenários.


Cintia Siqueira — autora do Parar de Roncar

Sobre a autora: Cintia Siqueira

Convivo com o ronco e a apneia moderada do meu marido, tratada com CPAP, e criei o Parar de Roncar para reunir informação honesta sobre sono e respiração. Neste artigo, pesquisei a fundo um tema que não faz parte da minha própria experiência — a menopausa — para trazer explicações baseadas em fontes médicas confiáveis, sem inventar vivência que não é minha. Saiba mais sobre mim →

Referências
1 Sleep Foundation — How Can Menopause Affect Sleep?  | 
2 Sleep Foundation — Sleep Apnea Symptoms in Women  | 
3 NCBI/PMC — A possible important regulatory role of estrogen in obstructive sleep apnea hypoventilation syndrome  | 
4 SciELO/RBGO — Frequência dos distúrbios de sono em mulheres na pós-menopausa com sobrepeso/obesidade  | 
5 FEBRASGO — Estilo de vida é base essencial para o cuidado da menopausa  | 
6 FEBRASGO — A importância da qualidade de vida na menopausa  | 
7 SBPT — Apneia do Sono
Última revisão editorial: julho de 2026. Conteúdo informativo — não substitui avaliação médica especializada.
Foto da autora do blog Parar de Roncar

Pesquisadora de saúde do sono e bem-estar. Criadora do pararderoncar.com.br, dedicada a ajudar pessoas que sofrem com ronco e apneia do sono a encontrar soluções práticas e acessíveis.